- Laryssa Borges
- Direto de Brasília
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira, ao empossar o
novo ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA), o uso de escolhas
políticas para a montagem de seu governo. O novo titular da pasta,
sucessor de Pedro Novais, tem carreira voltada à educação e nunca
exerceu funções ligadas ao Turismo. Apadrinhado do presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), Vieira foi alçado ao cargo após Pedro Novais não
resistir a denúncias de uso de dinheiro público para o pagamento de um
motorista e uma governanta.
"Escolhas políticas não desmerecem nenhum governo. É com políticos,
partidos políticos, técnicos e especialistas que se governa um País tão
complexo como o Brasil. A política bem exercida é uma atividade nobre e
imprescindível à sociedade democrática", disse a presidente.
Na solenidade de posse, realizada em uma sala reservada do Palácio do
Planalto e sem a presença da imprensa, Dilma agradeceu o antecessor no
ministério, Pedro Novais, que não estava presente, e fez referência à
trajetória política do novo ministro, deputado federal por cinco
mandatos consecutivos. "O senhor ganhou respeito de seus pares como
parlamentar competente com compromisso com a causa pública", afirmou
ela, enfatizando a importância da pasta diante de eventos esportivos
como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.
"Sei que o senhor terá muito trabalho a fazer. (...) Sei que o senhor
tem grande capacidade como gestor público. Nós vivemos hoje no momento
um Brasil em que turismo, por dois lados, é um desafio. E um dos lados é
o fato de que vamos ter três grandes eventos, entre outros: a Copa das
Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Ao mesmo tempo pelo fato
de que a taxa de crescimento dos voos domésticos no Brasil - que são um
dos indicativos dos negócios e da atividade turística - atinge 20% ao
ano, que é uma taxa asiática de crescimento. Aquele Brasil que recebeu
renda, que teve oportunidades, que conseguiu oportunidades de trabalho e
o Brasil que está começando a experimentar o fato que esse País é
continental e tem tantas belezas", declarou.
Ao citar a trajetória política do novo ministro, voltada à educação, a
presidente elogiou a formação do novo auxiliar e defendeu que ele
utilize seus conhecimentos como educador na formação de mão-de-obra
qualificada para os grandes eventos esportivos.
"Como não temos só que prover o acesso à Copa, os desafios se
multiplicam e aumentam. Há muito o que fazer para melhorar a qualidade
de atendimento ao turista, ao turista interno e o que vem de fora.
Precisamos formar mão-de-obra. Uma pessoa que vem da (área de) Educação e
tem essa paixão tem uma grande contribuição a dar", opinou Dilma.
A crise no Turismo
Pedro Novais (PMDB) entregou o cargo de
ministro do Turismo no dia 14 de setembro, depois de sua situação
política ter se deteriorado por suspeitas de que ele teria usado
recursos públicos para o pagamento de uma governanta e de um motorista
para a família. A denúncia não foi a primeira e tornou a permanência de
Novais insustentável, apesar do apoio do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP). Ele foi o quinto ministro a deixar o posto no governo
Dilma Rousseff.
A crise no Turismo começou com a deflagração da Operação Voucher, da
Polícia Federal (PF), que prendeu, no início de agosto, 36 suspeitos de
envolvimento no desvio de recursos de um convênio firmado entre a pasta e
uma ONG sediada no Amapá. Entre os presos estavam o
secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, o
secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert
Martins da Silva Filho, e um ex-presidente do Instituto Brasileiro de
Turismo (Embratur). Dias depois, o jornal Correio Braziliense
publicou reportagem que afirmava que Novais teria sido alertado pelo
Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as irregularidades do ministério
47 dias antes da operação da PF, sem tomar qualquer medida. Novais
negou que tivesse recebido o aviso.
No dia 20 de agosto, a Folha de S.Paulo afirmou que uma emenda
ao Orçamento da União feita por Novais em 2010, quando ainda era
deputado federal, liberou R$ 1 milhão do Ministério do Turismo a uma
empreiteira fantasma. O jornal voltou à carga em setembro, denunciando
que o ministro teria usado dinheiro público para pagar a governanta de
seu apartamento em Brasília de 2003 a 2010, quando ele era deputado
federal pelo Maranhão. Em outro caso, o ministro utilizaria
irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista
particular de sua mulher, Maria Helena de Melo.